08 Dezembro 2008

Dante Acorda.

No dia seguinte, a luz da manhã me acorda. Olhos abertos, mais um dia que começa. Um banho um pão, um suco, e saio. Lembro-me da noite anterior. Na verdade não lembro, apenas vislumbro mais um momento reflexivo para a minha galeria pessoal. A frieza daquele olhar gela meus ossos até agora, e o sorriso imaculado e aberto enganava facilmente os desatentos. Mas o seu semblante de impavidez denunciava sua total invulnerabilidade aos sentimentos alheios, característica que hoje é presente num numero cada vez maior de pessoas. Todas se abraçando e se agradando com sorrisos hipócritas e condenando aqueles que preferem a solidão. Pego minha moto e me retiro do lugar, acumulo de demônios num lugar só. Hoje quero ir para o alto, ver a cidade. Rumo ao sul, terceira colina à esquerda. No aparelho de som, Comfortably Numb, às alturas, e o pensamento longe. A fumaça do cigarro sobe em espiral e é levada pelo vento, enquanto o gosto da Tequila queima minha garganta, é cedo, não há pressa. Mais uma vez o vento lava meu rosto e sinto minhas mãos geladas. O mesmo gelo daquele olhar, e de outros tantos. Do vendedor, do garçom, do patrão, do subordinado, do ator, do rico, do pobre. Já é tarde, amanhã mais uma sessão de tortura, e mais uma noite deprimente em companhia de mim mesmo. Mais no meio de tantas mazelas, ainda me atenho à minha razão e força de vontade para continuar. Mas continuar em busca de que? Nada. Talvez, ou tudo. Quem sabe? Talvez apenas em busca de mim mesmo. Então, hora de ir. 01:38. Paro na lanchonete. Um hambúrguer, por favor. E mais uma vez aquele conhecido sorriso gélido e olhar desconfiado. Saco a carteira e pago rapidamente. Não confio neles e não espero ser confiado. Perto de mim um grupo conversa acaloradamente sobre futebol. Futebol... Uma ofensa previsível uma reação imediata. Um circulo de aborígines se forma um emaranhados pernas e braços. Alguns instantes, um nariz sangrando. Alguns pedidos de desculpa, algumas garrafas pagas e finite. Recebo o hambúrguer e engulo rapidamente e vou embora. Chego no prédio, acendo um cigarro. É proibido fumar no elevador mais foda-se, odeio o babaca do sindico. Abro a porta e durmo no sofá, onde a luz da janela me acordará no dia seguinte.

5 Pitacos:

Bruna Bo disse...

Que post incrível! Eu sou apaixonada por textos assim, alucinantes, parece que a gente tá lá também, vivendo cada situação. Sem contar que o final é sempre uma surpresa!

Parabéns. :)

Teté disse...

Você realmente escreve mto... haha Creio que seu vestibular foi uma maravilha, pelo menos na redação =P hahaha
Bjooos ;)

LaLa! =) disse...

Poxa sem comentários sobre o seu texto, perfeitooo...

E poxa sempre é bom lembrar das vovós msmo quando bem longe ;D

bjos
te espero mais veses lá no nosso mundo do quem me dera ao menos uma vez!

bia de barros disse...

e se amanhecer chovendo?

bobo. o que faz a vida divertida é sua imprevisibilidade: generalizações são tão frias quanto aqueles olhares.

» a vida é meu caso de amor e ódio eterno...«

thanks for coming 2my blog,
come back soon.

bjs de luz,
bea.*

AP disse...

Nossa, adorei seus textos, sao muito bons!
E orbigada pelo coment la no meu blog

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Uma gota d'água no oceano